Resenha Histórica

 
 
PANÓIAS
Foi nos seus campos que no ano de 1139 se travou a célebre Batalha de Ourique. Conquistada aos Mouros por Paio Peres Correia no ano de 1234, quando o seu território pertencia ao domínio do Castelo de Aljustrel. Foi doada à Ordem de Santiago pelo Rei D. Sancho II e confirmada pelo Rei D. Afonso III, elevada a Vila pela Ordem de Santiago e reconhecida pelo rei a sua representação nas Cortes desde o séc. XIII com assento no banco 14. A Vila de Panoias aparece como uma das vilas mais importantes do então chamado Campo D’Ourique se tivermos em consideração que as posições que tomavam os seus representantes nos respectivos bancos, obedeciam à importância das suas terras encontrava-se 1.º Beja no banco 3; 2.º Moura no banco 5; 3.º Alcácer do Sal no banco 7; 4.º Panoias e Garvão no banco 14 e Ourique vem a seguir no banco 15. No reinado de D. Dinis, este monarca, implementou e desenvolveu a agricultura nos territórios da Vila, tornando-a num grande centro de produção agrícola. Nos anos de 1288 e 1314 foram doadas terras pela Ordem de Santiago a D. Betaça de Láscaris, neta de Teodoro II Láscaris, Imperador de Niceia e aia da Rainha D. Isabel de Aragão, tendo pela última doação sido feita Comendadeira e Senhora de Panoias.
Teve carta de foral novo, dada por D. Manuel I em Lisboa no dia 1 de Julho de 1512 . No séc. XVI, D. Sebastião proviu a Vila de capitania mor de Ordenanças, foi sede da 1ª companhia do Regimento de Auxiliares e Milícias da antiga Comarca de Campo de Ourique. Foi também nesta vila e campos em redor que se travou no dia 14 de Agosto de 1833, a Batalha de Panoias, entre Liberais e Miguelistas, vencida pelos Liberais, que na sequência desta batalha sofreram, no dia 2 de Novembro de 1833, duro revés na Batalha de Alcácer do Sal, tendo sido vários Liberais fuzilados no que ficou conhecido como o massacre de Algalé em represália do massacre perpetrado em Panoias. Na sequência da derrota miguelista a vila perdeu o seu concelho no ano de 1836, quando era seu administrador interino o capitão Joaquim Romão Louro Palmer, liberal da vila que tinha assegurado o governo do município até à sua extinção. Foi depois integrada no concelho de Messejana até à extinção deste no ano de 1855, tendo depois passado a pertencer ao município de Ourique onde actualmente pertence.
 
CONCEIÇÃO
A freguesia de Conceição, pertencente ao concelho de Ourique desde 1855, pertenceu ao antigo concelho de Messejana até à sua extinção, nesse mesmo ano. Apesar de não haver documentação sobre as origens de Conceição, o topónimo Alcarias remete para uma possível ocupação árabe do território circundante.
A freguesia de Conceição está associada a uma família (Lança), que foi considerada a maior proprietária latifundiária do concelho de Ourique. O seu pedaço de terra mais extenso era uma herdade situada no lugar de Torre Vã, em Panoias. A família Lança detinha várias propriedades em Conceição, pertencendo-lhe o denominado solar da Torre, património da freguesia. Ainda hoje, quem visitar a aldeias de Conceição e Alcarias não poderá deixar de se surpreender pelas casas imponentes e de aspeto senhorial que resistem. Segundo informação da junta de freguesia, nos séculos XVII e XVIII, a aldeia de Conceição seria conhecida como Aldeia de Borregões, não constando outro nome nos documentos oficiais. Sendo lenda ou facto real, por estarem fartas de serem conhecidas como “barregans”, “barregôas” e “barrigudas”, raparigas da aldeia requereram ao juiz a alteração do nome da aldeia para o da sua padroeira, Nossa Senhora de Conceição. 
Durante o reinado de D. Manuel I, Conceição beneficiou de diversos privilégios, por pertencer à recém instituída vila de Messejana. Aquela foi, então eleita como morada de diversos nobres, que implantaram a sua arquitectura senhorial e contribuíram para o desenvolvimento económico e cultural de todo o concelho.
No âmbito eclesiástico, Conceição dependia da administração da ordem de Santiago e foi curato da apresentação da Mesa de Consciência e Ordens, tribunal instituído por D. João III, para ajudar a solucionar os casos jurídicos e administrativos concernentes as ordens religiosas, que apelavam para as obrigações da “Consciência”. Posteriormente, Conceição ascendeu a priorado.